Se a direita não morrer, nos matamos

Flávio Bolsonaro é o candidato da direita, certo? pode ser. Ocorre que Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, ainda incomoda pela capacidade de aglutinar. Entenda: segundo pesquisas, Flávio Bolsonaro tem uma rejeição na faixa de 55%. Isto significa que, seu teto eleitoral teórico, aquele que considera a taxa de desconhecimento por parte dos eleitores, mas desconsidera a rejeição, poderia dar a ele no máximo 45% dos votos. Já Tarcísio, pelo mesmo princípio, tem oportunidade de chegar a 57%. Isto não é pouco. O centro e a centro direita política observa estes números para decidir onde vai se colocar. Isto quer dizer que: com Tarcisio é mais fácil obter apoio para bater a eleição contra Lula, do que com Flávio Bolsonaro. Vou reforçar: teoricamente.

Obter apoio, é o segredo para vencer eleições no Brasil. A direita, acha que apoio do centrão não é desejável. Mas sem este apoio, não ganha eleição. Não ganha porque não tem voto para ganhar, e não ganha porque não consegue reunir os votos que tem para ganhar. Se há um mal estar entre Flávio e Tarcísio, por situações que nenhum dos dois controlam, há as divisões claras que colocam conservdores em polos aparentemente inconciliáveis. Vejamos:

O Eduardo Bolsonaro, lá dos Estados Unidos, questiona o posicionamento de Michele Bolsonaro que posta imagens do Nikolas mas não posta de Flávio. De uma vez só bate na madrasta, no Nikolas e expõe o distanciamento entre Michele e Flávio. Para o conservador não apaixonado pelos Bolsonaros, há aí um bom argumento para se afastar ainda mais da família. Este assunto deveria ser tratado internamente, até mesmo com o único líder de verdade que eles tem, que é o Jair Messias, e não na imprensa. Na imprensa, só dão visibilidade para um problema que deveria ser resolvido no núcleo familiar. Além do mais, para quê arrastar o Nikolas para um problema que é só deles? Ah, o Nikolas é bonzinho? não se trata disto. Se trata de conter dano, não alastrá-lo.

Por causa disto, Silas Malafaia solta o verbo dizendo que Eduardo ajudaria mais o irmão se ficasse calado. Silas é um dínamo: quem gosta, gosta e quem não gosta, odeia. Não há meio termo. Mas há quem goste. Antes disto, ele já havia dito que a indicação de Flávio como sucessor de Jair Bolsonaro não havia empolgado. O pastor evidenciou claramente sua preferência por Tarcísio de Freitas, o que também causou mal estar no clã Bolsonaro, já que isto vai diretamente ao encontro da vontade do líder mor da direita Brasileira: o ex presidente Bolsonaro.

Estes últimos eventos, trazem à mente velhos conflitos que afastaram permanentemente nomes da direita nacional. O General Mourão, laureado vice de Bolsonaro justamente por ser conservador, general da reserva, centrado e firme, hoje amarga a pecha de traidor. Assim foi também com Moro, com Janaina Paschoal, com Ricardo Salles, com Mauro Cid, com Carla Zambelli, e até com Tarcísio, que por mérito próprio mantém-se próximo. Agora os traidores são Nikolas e Michelle? houve um momento em que o próprio Bolsonaro foi considerado traidor, por ter ido para os Estados Unidos deixando o eleitor exposto aos eventos do 8 de janeiro. Durma-se com um barulho desses.

O fogo amigo precisa ser contido na direita. Porque se não for, a esquerda não precisará se preocupar. Não que eu seja favorável à candidatura única. Mas ter vários candidatos de direita se atacando na eleição, o que sobrará para a esquerda, se não colher os resultados da urna? Para a direita falta união, visão estratégica e foco. Sem isto, vão perder de novo.

RAPIDINHA: em Goiás, os candidatos federais do PL articulam para minar a candidatura de Wilder, já anunciada e consolidada pela presença do presidente do partido e pela escolha de Ana Paula Rezende como vice. Temem a hegemonia de Ronaldo Caiado no Estado, mesmo não sendo ele o candidato da vez. Dizem também que Gayer, principal puxador de votos do PL no Estado, cogita desistir da candidatura ao senado como retaliação à decisão do partido. O anúncio de que o PL teria candidatura própria em Goiás mexeu com todo o tabuleiro político do Estado por, obviamente, apresentar um quadro novo e, de certa forma, até inesperado. Com os ti-ti-tis a cerca da oposição interna, o impacto inicial perdeu a força que gerou de pronto. Ou seja: os próprios integrantes da legenda estão destruindo o que foi construido. É assim que a direita age: sem visão, sem união e sem foco. Mas querem ganhar uma eleição. Os adversários agradecem.

@coronelviveiros

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quarta-feira, 11 março 2026

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