Em um momento marcado por emoção e superação, a goiana Roberta Rodrigues, de 33 anos, participou no último domingo (8) de uma corrida de rua em Goiânia. Utilizando uma cadeira de rodas, ela percorreu os 5 quilômetros do percurso com o apoio de uma amiga durante o Circuito Mulher Unimed.
A fisioterapeuta convive há cerca de 18 anos com a Polirradiculoneuropatia Inflamatória Desmielinizante Crônica (CIDP), uma doença neurológica autoimune rara. Ao longo da vida, Roberta já enfrentou episódios graves que a deixaram tetraplégica cinco vezes.
Durante a prova, a amiga — também fisioterapeuta — ajudou a empurrar a cadeira de rodas, e outras participantes da corrida se juntaram para auxiliar no trajeto. Para tornar o momento ainda mais especial, elas levaram uma caixa de som e colocaram músicas cristãs para tocar ao longo do percurso.
“Foi maravilhoso. Já participei de outra corrida depois que fiquei cadeirante, mas naquela vez quem me ajudou foi meu irmão. Dessa vez também foi muito emocionante”, contou.
Mensagem de superação
Roberta levou para a corrida uma frase que carrega tatuada na mão: “Você consegue”. A expressão também aparece nas camisetas usadas por ela e pela amiga Daniela Lima e representa a força que a motiva a continuar lutando.
Segundo ela, o momento mais marcante foi a união entre as mulheres que estavam na prova.
“Foi incrível. Muitas mulheres se revezaram para empurrar a cadeira. Todo mundo se abraçando, cantando e se emocionando. Foi um momento muito bonito”, relatou.
Corrida como motivação
Antes de descobrir a doença, em 2008, Roberta se preparava para participar da Maratona do Rio de Janeiro. Com o diagnóstico, precisou interromper os treinos.
Agora, ela tenta retomar o contato com as corridas aos poucos.
“Quero voltar a me sentir pertencente. A energia das largadas é algo difícil de explicar. Quem nunca correu deveria experimentar pelo menos uma vez”, afirmou.
Para ela, participar das provas também ajuda a manter a motivação durante o tratamento fisioterapêutico.
Doença mudou a rotina
Os primeiros sintomas apareceram quando Roberta tinha 15 anos. Inicialmente, ela recebeu o diagnóstico de Síndrome de Guillain-Barré, doença que pode provocar perda de força muscular e até paralisar os músculos responsáveis pela respiração.
Com o passar dos anos, porém, as crises voltaram e exames mais recentes indicaram que o quadro evoluiu para a forma crônica da doença, a CIDP.
Apesar dos desafios, Roberta mantém uma rotina ativa: trabalha como fisioterapeuta intensivista formada pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), produz conteúdo nas redes sociais e desenvolve projetos voltados ao cuidado e à saúde da mulher.



